[Fonte: Público. Foto de David Clifford, 2004.]
O Mundo diz adeus a António Ramos Rosa,
88 anos depois de ter dito Bem-vindo!
88 anos depois de ter dito Bem-vindo!
Ao longo da sua vida, deixou
a sua marca no mundo através da escrita poética e ensaísta. Depois desta
efemeridade da vida, continuará a inspirar-nos, com certeza!
Embora a fragilidade da
vida já se fizesse sentir num sopro leve, na manhã do seu último dia de vida, A.
Ramos Rosa ainda teve forças para escrever os nomes dos seus amores:
a sua mulher (Agripina Costa Marques) e a sua filha (Maria Filipe).
a sua mulher (Agripina Costa Marques) e a sua filha (Maria Filipe).
E depois da sua
filha lhe ter sussurrado ao ouvido o verso mais emblemático da vasta poesia que
nos deixa como herança – “estou vivo e escrevo sol” – o poeta
escreveu-o uma última vez, numa folha de papel, em jeito de despedida com
vontade de eternizar a vida.
São estes pequenos momentos que fazem grandes
vidas!
Para o Mundo,
Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a
minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol
Se as minhas lágrimas e os meus
dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol
A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas
paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida
Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde
António Ramos Rosa,
1966
Continuará vivo…eterno…junto
dos seus e junto de nós...porque...
[Fonte: Facebook]
E é assim que os Mundos
da Maria se inspiram para vos lembrar que
vocês
estão vivos e devem escrever o sol!
Porque a Poesia é de todos e para todos!
[Fonte: facebook.]
E para os amantes das
vidas cheias de poesias,
[Fonte: google]













